Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

TRIBUTO A MEU PAI, Elias Lopes Milhazes

Algum dia tinha que falar um pouco dos meus, neste caso, de meu Pai Elias Lopes Milhazes. Foi o chefe das oficinas–auto da Sociedade Agrícola do Cassequel. Funcionário exemplar e dedicado, foi acima de tudo um ser humano de dimensão invulgar.
Homem do Norte (Nascido na Póvoa de Varzim), teve uma infância e adolescência difíceis, nem sempre manifestando interesse em partilhar as desventuras desse tempo passado. Desse passado que fui reconstruindo através de pequenos detalhes revelados, não demonstrava o meu Pai nenhum orgulho particular, preferindo mantê-lo na sombra e, às vezes, afigura-se-me que a sua vida só começou verdadeiramente quando encontrou a minha Mãe lá para os lados de Guimarães (Caldas das Taipas), após um período incerto de deambulação que se prolongou até ter encontrado uma família de acolhimento.
Embarca para África, tendo chegado no início da década de 50 ao Lobito. Muda-se para a Catumbela e passa a ser funcionário da Cassequel.
Casa-se com minha Mãe (por procuração) em Agosto. Foi Pai de três filhos, dois rapazes e uma rapariga (João Carlos, Maria Isabel e Victor Manuel). Inicialmente viveu numa casa junto ao rio Catumbela (Namano), depois vai morar para o 27 (Km 27, Damba Maria), nas pescarias do Cassequel. Volta à Catumbela para morar junto à Estação dos CFB na Catumbela e finalmente junto à igreja do Sagrado Coração de Jesus, na Av. Da República.
Homem sem vaidades e pacato (fato-macaco sempre vestido), lá ia e vinha do seu dia de trabalho, por vezes na sua “burra”, outras de motinha “Pusch” e, mais para o fim, no seu Renault R8. A palavra "não” era-lhe difícil pronunciar.
Das muitas recordações que tenho dele, uma ficou-me gravada para sempre:
- Certa vez, é-lhe proposto fazer um carro, o mais parecido possível com um Fórmula 1, proposta essa vinda do Director da Cassequel, Eng. Serpa Pimentel, carro esse para ser oferecido ao filho mais velho, Rodrigo Serpa Pimentel.
Mãos à obra! O mestre e criativo Elias, projecta o bólide! Nada de “Lay-outs”, tudo feito ali nas bancadas, imaginação e técnica puras! Socorre-se dum motor de mota “AJS”, grande máquina na altura, debitando para aí uns 80CV e atingindo uns 140Km/h. Estava encontrado o engenho que daria motricidade a tal “seta ferrárica”. Parte-se para o chassis, engenhosamente elaborado e finalmente a carroçaria (feita pelo Sr. Américo – bate chapas). Pinta-se de vermelhinho Ferrari, coloca-se o Nº 1 e vamos a testes. Um empurrão e ignição feita! Tremendo de um berro, qual trovão, fruto daquele motor único!
Vai-se para o espaço plano mais próximo! Seria a área do “cavalo branco”, em terra batida, local nada propício a um teste ao projecto. A coisa não corre mal, mas as afinações finais e a aprovação é feita na pista do aeroporto do Lobito. Aí sim, o mestre regozija-se com o resultado da sua invenção, tripulando e fazendo troar aquela inaudita peça mecânica, transparecendo no final um gáudio interior perceptível no brilho que os seus olhos emanavam.“A coisa havia sido terminada”.
Do carro, algumas fotos foram tiradas ficando para a posteridade apenas essa imortal imagem a preto e branco do carro devidamente tripulado pelo Rodrigo Serpa Pimentel (Foto cedida pelo próprio). Presto esta pequena homenagem, em meu nome, em nome dos meus irmãos, esposa, netos e nora, a um homem que foi honesto, trabalhador, bom pai (severo por vezes, sabendo-se lá o que lhe atormentava a alma …!) e marido e que, por infortúnio da vida não disfrutou do prazer de ser o avô próximo que tanto desejou! Que sina meu Deus!
O “ Mestre” faleceu em 13 de Outubro de 1981 num brutal acidente de viação, deixando-nos aos 61 anos. Vi-o pela última vez na despedida em Setembro de 1975, justamente naquela pista do aeroporto do Lobito, local onde a sua “obra-prima” havia sido testada e entregue.
Por teres sido o Pai e Homem que foste, obrigado meu “Velho”!


Nota:
Os agradecimentos da família Milhazes ao Joel Barbosa, que intercedendo junto de seu irmão Pedro Barbosa casado com uma filha (Teresa) do antigo Director da Cassequel e que ao abordar o Rodrigo Serpa Pimentel (seu irmão mais velho), este, num nobre acto de respeito e solidariedade, nos cedeu a foto do carro com o próprio ao volante. Agradeço também ao Rui Bizarro o facto de ter sido intermediário no “resgatar” desta memória que nos é tão cara.

João Carlos A.S. Milhazes
Victor Manuel Amâncio S. Milhazes

Twapandula
O Bólide (Foto original, década de 60), cedida gentilmente
pelo piloto, Rodrigo Serpa Pimentel (ao volante).



O Bólide, numa recriação minha, restituindo-lhe
as cores originais embora em ambiente diferente.
(Tratamento em Fotoshop)

Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

REVIVAM O PASSADO E PRESENTE DA CATUMBELA E DOS CATUMBELENSES

SEGUINDO O CURSOR ATÉ FINAL DESTAS POSTAGENS, IRÃO ENCONTRAR NO CANTO INFERIOR DIREITO A INDICAÇÃO "Mensagens Antigas", CLICANDO AÍ, PODERÃO VER O RESTO DAS POSTAGENS CONTIDAS NESTE BLOG.

TWAPANDULA

A ÁRVORE "SUMAÚMA" - Pentandra ceiba (L) Gaertn

Família: Malvaceae (Bombacaceae)
Género: Ceiba
Espécie: Pentandra ceiba (L) Gaertn

Outros nomes pelo que é conhecida:
Kapok tree, silk cotton tree, ceiba de lana, bois coton, kapokier, pacae, kankantri.


A árvore da Sumaúma (pentandra de Ceiba) é uma planta tropical da ordem Malvales e da família Malvaceae , nativa do México , e da África ocidental tropical. A palavra sumaúma é usada também para a fibra obtida dos seus frutos.
Foi um símbolo sagrado da mitologia dos Maya. A Sumaúma dá-se em áreas inundáveis ou húmidas, podendo ter entre 10 e 30 metros de altura e ter um tronco muito volumoso, até 3 metros de diâmetro contando com os contrafortes e raízes tubulares. As folhas são compostas de 5 a 9 lóbulos, cada um com cerca de 20 cm. As árvores adultas produzem frutos que contêm as sementes cercadas por uma fibra macia, amarelada que é uma mistura do linho e celulose. A fibra é bastante flutuante, altamente inflamável e muito resistente à água. Foi ou é usada como uma alternativa ao algodão para encher almofadas, colchões (antigamente) e para isolamentos. As sementes produzem um óleo usado para fabricação de sabão mas também pode ser usada como fertilizante . A árvore é cultivada na Ásia , na Malásia , na Indonésia e também em Angola. É usada medicinalmente, decoando-se, servindo de diurético, afrodisíaco, e para tratar os diabetes.
Nota:
Quem na Catumbela não teve um colchão ou uma almofada de sumaúma?! Agora diurético, afrodisíaco e tratar os diabetes, aí ...!!!
A Árvore na sua plenitude e habitat natural.
Esta está na vala que irrigava os cultivos da
Cana-de Açúcar na Catumbela.





A Folhagem da Sumaúma





Inflorescência da Sumaúma







Flôr da Sumaúma

Fruto da Sumaúma em verde

Fruto da Sumaúma, maturado, onde se nota o "Algodão"





Sementes da Sumaúma










RÁDIO PHILIPS (Bakelite) Mod. Nº 592 (Made in USA) - Anos 30/40







Segunda-feira, 30 de Junho de 2008

CARTÃO DE ESTUDANTE DO CARDOSO NA EICGCL - 1971 - 72





Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

MÁQUINA DE COSTURA (Clemens Muller Dresden) - Anos 20







Terça-feira, 10 de Junho de 2008

EMBLEMA DO " GRUPO DESPORTIVO
E RECREATIVO DO CASSEQUEL"

Imagem gentilmente cedida pela Guiomar Lopes
e Sr. Branquinho Lopes.
Twapandula

Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

Ilídio Monteiro Alves, equipado de ciclista federado em Angola. (foto da década de 1950). Nasceu em Paredes de Coura, distrito de Viana do Castelo, a 5 de Abril de 1928 e foi para Angola em 1951. Correu pelo Benfica de Moçâmedes (1951-1952), Portugal de Benguela (1953-1954) e Sport Clube Catumbela (1955-1962), vencendo, entre outras provas, o Circuito Ciclista da Catumbela, realizado a 10 de Junho de 1956, com o tempo total de 1 h 47 m e 37 s. Venceu também o Circuito Ciclista da Catumbela de1957. A vitória de 1956 vem no jornal o jornal "O Lobito", n.º 1699, terça-feira, 12 de Junho de 1956, p. 5. Em Maio de 1956 o Sport Clube Catumbela venceu a prova por equipas do Circuito Ciclista de Benguela, no âmbito das comemorações do tricentenário da fundação da Cidade de Benguela, ficando o ciclista Joaquim Leal em 1.º lugar e Ilídio Monteiro, em 2.º , ambos do Sport Clube Catumbela. Eis a formação da equipa do Sport Clube Catumbela nos anos 1955-1962: Ilídio Monteiro, Joaquim Leal, Sousa Pinto e Rogério Couto. Eram então dirigentes da secção de ciclismo do Sport Clube Catumbela: - Jordão Marques, Carvalho de Oliveira e mais um cunhado do Joaquim Leal. A equipa do Catumbela à época, participou em provas por quase todas as principais cidades de Angola, só para citar: - Benguela, Lobito, Nova Lisboa, Sá da Bandeira, ...
Foi dono de uma oficina de carpintaria na Catumbela e era um apaixonado pela caça grossa.
Este Homem é tão sómente o Pai do Norberto (Cangato), Inocêncio, Jorge e Jofre.
Texto e foto cedidos por Jofre Alves, filho de Ilídio Monteiro Alves


Terça-feira, 3 de Junho de 2008

O IMBONDEIRO ( BAHOBAB )Adansonia digitata L.


ÁRVORE DA FAMÍLIA DAS “Bombacaceae”, DO GÉNERO “Adansonia”, COM O EPÍTETO “digitata”. É UMA ÁRVORE DE FOLHA CADUCA ( TEMPO DE SECA), ORIGINÁRIA DA ILHA DE MADAGASCAR. EXISTEM OITO ESPÉCIES DESTE ÁRVORE, SENDO QUE SÓ EM MADAGASCAR É O MAIOR CENTRO DE DIVERSIDADE, COM SEIS, DISTRIBUINDO-SE AS RESTANTES PELO CONTINENTE AFRICANO, AUSTRÁLIA E BRASIL. ALCANÇAM ALTURAS VARIÁVEIS ENTRE OS 5 E OS 25 metros, TENDO JÁ SIDO ENCONTRADAS EXCEPCIONALMENTE COM 30 metros. O SEU TRONCO VARIA ENTRE OS 7 E OS 11 metros E EXCEPCIONALMENTE 25 metros. A IDADE DESTAS ÁRVORES É DIFICIL DE DETERMINAR NA MEDIDA EM QUE A SUA MADEIRA NÃO PRODUZ ANÉIS DE CRESCIMENTO (Há relatos de Imbondeiros entre os 1000 e 3000 anos). É UMA ÁRVORE QUE SE DESTACA PELA CAPACIDADE DE ARMAZENAMENTO DE ÁGUA DENTRO DO SEU TRONCO, PODENDO ALCANÇAR OS 120.000 Litros. PRODUZ UM FRUTO (MÚKUA em Angola) DE COLORAÇÃO EXTERIOR “CASTANHO-AMARELADO”, VARIANDO NO COMPRIMENTO ENTRE OS 13 e 35 Cm, SENDO NO SEU INTERIOR (POLPA) DE ASPECTO ESPONJOSO (BRANCO) DE SABOR ÁCIDO ENVOLVENDO A SEMENTE DE CÔR CASTANHO ESCURO DE TAMANHO VARIÁVEL (0,9 a 1,3 Cm).
POR SER UMA ÁRVORE DE GRANDE PORTE E FAMOSA NO MUNDO INTEIRO E SENDO CONSIDERADA SAGRADA PARA MUITOS AFRICANOS (É EMBLEMA NACIONAL DO SENEGAL), PERSISTEM MUITAS LENDAS EM REDOR DA MESMA, UMA DELAS É QUE COM INVEJA DA SUA BELEZA, O DIABO INVERTEU A ÁRVORE, DAÍ A COPA FAZER LEMBRAR AS RAÍZES.


VÁRIOS NOMES DADOS (COMUNS OU VERNACULARES)

EMBONDEIRO, IMBONDEIRO, BAHOBAB, BAOBAB, XIMBÚIO, XIMBUO, NACUO, BABACEIRA, NBUYU (SWAHILI), MWAMBA (KAMBA), OLIMISIERA (MAASI), TOEGA (MOORÉ), SIRI (BAMBARA), MRAMBA (KIPARE), ISIMUHU (ZULU).


NAS VARIADAS LÍNGUAS:

BAOBÁ – Brasil ; AFRICAN BAOBAB,BOTTLE TREE, CREAM-TARTAR TREE, ETHIOPIAN SOUR BREAD, FONY, SOUR GOURD – Inglês ; BAOBAB OF MAHAJANGA – Inglês de Madagascar ; DEAD RAT TREE, MONKEY BREAD TREE – África do Sul ; BAOBAB AFRCAIN, BAOBAB DE MOZAMBIQUE, CALEBASSIER DU SÉNÉGAL, PAIN DE SINGE – Francês ; MAPOU AFRICAIN, MAPOU ZOMBI – Haiti ; ALBERO BOTTIGLIA, BAOBAB AFRICANO – Italiano ; AFFENBROTBAUM, AFRIKANISCHER BAOBAB – Alemão ; APENBROODBOOM, KREMETARTBOOM – Holandês ; AFRIKAANSE KREMETART, APEBROODBOOM, KREMETART – Afrikaans ; BAOBABAS, TIKRASIS BAOBABAS – Lituânia ; AFRIKA BAOBABO – Esperanto ; AFRIKA BAOBAB – Turco ; HAMAR – Árabe ; BAO BÁP CHÂO PHI – Vietname ; IMBONDEIRO, EMBONDEIRO OU BAHOBAB – Angola ; CHIMUHO, IMBONDEIRO, MULAPA OU MURAMBA – Moçambique ; BOUMBOU, KOUBOLI, KOUKA – Lìngua Bantu



IMBONDEIRO OU BAHOBAB - Adansonia Digitata L.

A ÁRVORE, A FOLHAGEM, A FLORAÇÃO E OS FRUTOS












EMBLEMA MOCIDADE PORTUGUESA FEMININA


PLACA ALUSIVA GP Portugal 1959 - Circuito Monsanto (Lisboa)

Vencedor - "Stirling Moss" (Agosto 1959)

PACOTE SABÃO EM PÓ "TIDE" - Anos 50




RÁDIO TELEFUNKEN (TFK) - "Jubilate" - Modelo 1061 - Ano 1959/60




RÁDIO NORDMENDE (Norddeutsh Mende) - Norma Luxus - ano 1959




Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

FINALISTAS ESCOLA COMERCIAL ( Ano Lectivo 1970/71)


1 - Amazonas; 2 - Pestana; 3 - Vilarinho; 4 - Zézito Cabral ; 5 - Filomena Capela; 6 - Vitor; 7-?; 8 - Horácio; 9 - Elisabete Alexandre; 10 - Campos; 11 - Sofia; 12-?; 13 - Isabel Mendes; 14 - Ana M. Horta?; 15-?; 16 - Elisabete Gonçalves; 17 - Dulce Golegã; 18 -?; 19 - Dra. Graça; 20 - São Veiga; 21 - Stella; 22 - Alice Diogo; 23 - Celeste Vidal; 24 - Marta Catum; 25-?; 26 - Lucy; 27-?; 28 - Lucília Santa Rita; 29 - Garcia; 30 - Cardoso; 31 - Vitor Nogueira; 32-?; 33 - Elisabete Branquinho Lopes; 34 - Lena Carvalho; 35 - Odete Nogueira; 36 - Elisa Ascenso

Foto cedida pela Ana Santa Rita


Nota: Esta fotografia está sujeita a rectificações, pois alguns nomes
não correspondem ao que se encontra legendado.

O TóZé Cardoso paulatinamente vai compondo o "ramalhete" (tem ajudado na identificação).

Terça-feira, 27 de Maio de 2008

MALTA DA CATUMBELA NA PONTA DA RESTINGA

1- Luis Pais; 2- Ita Morais; 3 - Caçador; 4 - Saraiva;
5 - ?; 6 - ?; 7 - Costa Afonso; 8 - Tó Zé Cardoso(Ardósia);
9 - Rui Bizarro; 10 - Luis Baltazar; 11 - Alberto; 12 - Amadeu
Martins; 13 - Vitor Morais; 14 - Zito torres ( Turrinha );
15 - João Costa Afonso; 16 - ?; 17 - Coelho ( Candimba )

- Quem é o bébé? Dão-se alvissaras!!!

Foto cedida pelo Zito Torres ( Turrinha )

Terça-feira, 20 de Maio de 2008

MAQUETE DA NOVA PONTE SOBRE O RIO CATUMBELA

PESSOAL, COM UMA PONTE DESTAS ATÉ OS
JACARÉS VÃO FICAR "ABOAMADOS" !!!






Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

ESTES MARMANJOS NÃO SE CANSAM DE ALMOÇARADAS!!!
MOITA DO RIBATEJO, 14 DE MAIO DE 2008








Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

ROMANCE DE CARLOS GANHÃO " DEMBOS - A FLORESTA DO MEDO " Angola 1969 a 1971

O medo, catalizador de bravura e de cobardia, encarregava-se de separar os animicamente preparados para combater, ainda que numa guerra ambígua e os que, possuidores de uma estrutura psicológica auto-impeditiva, arriscavam a sua aniquilação às mãos do inimigo, bem como a de todo um grupo de homens dependentes entre si.A Floresta dos Dembos, personifica de forma palpável a invisibilidade do medo que, de uma forma ou outra, arrebatou cada um daqueles homens, ora em abismos profundos de vegetação tão densa que era impossível caminhar, ora em esparsas clareiras onde o inimigo os emboscava numa infindável perseguição em que aquele que hoje perseguia, amanhã era perseguido.Mas não é só o medo a criar divisões no seio do exército português. Estávamos perante uma tropa mista no sentido em que, de um lado possuíamos combatentes vindos e formados em Portugal, profundamente marcados pela coacção ao livre-pensamento, norma no Portugal daquele tempo, do outro perfilavam-se jovens nascidos ou criados em Angola (os Euro-Africanos como o autor os apelida e em cujo grupo se enquadra) com uma mentalidade diversa, porque não sujeitos às numerosas restrições experimentadas na metrópole. Já dominados pelo medo na terra natal, o seu posicionamento num palco de guerra distante, não raras vezes, não divergia muito desse primitivo instinto de sobrevivência que os impelia a manter a cabeça baixa e a não ter opinião. Os Angolanos, por sua vez, insurgiam-se contra os tiques ditatoriais das patentes superiores, habituadas que estavam a dominar sem contestação. Tentou-se a contaminação, o mergulho no estado de medo em que Portugal vivia submerso, mas em zona operacional, a probabilidade de desmandos ilógicos descambarem em motim, não era absurda pelo que, estancou-se, em certa medida, o absolutismo militar de homens de carácter e moral duvidosos que pretendiam subir na vida com a circunstância trágica da guerra.Carlos Ganhão denuncia a ausência de humanidade e respeito pela vida humana evidenciados por muitos protagonistas da Guerra em Angola, sobretudo pelos que conduziam a guerra a partir de gabinetes e observando mapas, enquanto toda uma juventude se perdia ou perdia a inocência face aos horrores vividos.No labirinto de significados ou inexistência deles (até porque uma guerra apresenta sempre como principal motivação a irracionalidade de alguns pela qual uma maioria se sacrifica), o autor conduz o leitor ao longo dos dois anos de duração da sua comissão, nas memórias mais genuinamente escritas que já tive oportunidade de ler. Trata-se de uma referência histórica sobre um período com tanto ainda por desvendar.Retirem-se as máscaras, chegou o momento da Verdade. Sem medos.
Texto de Carla Milhazes (amargemblog.blogspot.com)
Caso não encontrem o livro na vossa Livraria mais próxima, o Carlos Ganhão não se importa de vos fazer chegar um exemplar, tendo para isso que o contactar para:jacarecatum@gmail.com

Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

MAPA PARCIAL DA VILA DA CATUMBELA

VERSÃO MELHORADA DO MAPA ANTERIOR
( Sem rigores gráfico e de escala )
Atenção aos direitos de autor (Regº Nº - H2SO4 - S.A.L.U.B.A.C.)


Terça-feira, 6 de Maio de 2008

ENCONTRO EM SETÚBAL DE DOIS GRANDES AMIGOS DA CATUMBELA (06-05-08)

A nossa grande basquetebolista do Catumbela, HORTENSE DOMINGUES e
o grande desenhador e caricaturista NUNO DOMINGUES





Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

UMA EXCEPÇÃO NESTE BLOG PARA O LOBITO. ONDE É O TAMARIZ, ERA ANTIGAMENTE "O LUSO", COMIAM-SE ALI UNS BONS PREGOS NO PÃO E BOA MARISCADA E AÍ MUITO CATUMBELENSE SE DELICIOU, NÃO SÓ COM ESSAS IGUARIAS MAS ... O JACARÉ E A TARTARUGA SÃO O EX-LIBRIS DAQUELE ESPAÇO AJARDINADO. FICO MUITO FELIZ POR REVER ESTES BRINQUEDOS E CONSTATAR QUE AINDA LÁ SE ENCONTRAM E NUM RAZOÁVEL ESTADO DE CONSERVAÇÃO ( As vezes que em garoto, tentei tirar aquela bola da boca do jacaré !... )

Fotos extraidas do Site http://mariapernadas.myphotoalbum.com/




MUITOS DE NÓS EM MIÚDOS BRINCAMOS NESTES APARELHOS! COMO DÁ PARA VER
ESTÃO NUM BELO ESTADO DE CONSERVAÇÃO !!! ATÉ O MACACO ANDA À SOLTA, ONDE ANDARÁ O JACARÉ?! LIVRA !!! ( PARQUE DOS BAMBÚS - CATUMBELA)
Aqui, no "PARQUE DOS BAMBÚS" e conforme o avivar de memória do TóZé Cardoso, íamos estudar para os exames ( e não só ...) e rara era a vez que não encontrávanos o irmão do Sr. Luciano Silva, (o mudo) tentando fabricar uma "arma artesanal" (pensávamos nós) para chumbar os homens todos e ficar com as mulheres! É claro que tudo não passava de imaginação nossa, mas tínhamos cá um respeitinho ao "man", levávamos cada corrida ... shiiiiii....!
Havia lá um sacana dum macaco"Babuino", que a malta mandava vidrinhos partidos p'ra dentro da jaula e o tipo, punha aquilo na boca, limpava bem limpinho no pêlo e depois começava a espreitar através do mesmo! O gajo era esperto!
E a macaca, daquelas com o cú todo vermelho, cheio de calos, mal nos via com um pauzinho de bambú na mão, começava logo a vír de traseira contra as redes, e ....!!! Danada da macaca!


Fotos extraidas do "Site" http://mariapernadas.myphotoalbum.com/













Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

FONTE DO "LARGO DO CUIO " ou "ALMEIDA GARRET" - Frente Casa das Madres (Casa Chiquito)
(Desenho efectuado através de observação fotográfica, sem rigor de escala e passado no scanner)






ESTAÇÃO DOS " CFB " DA CATUMBELA
(Desenhado através de observação fotográfica
sem rigor de escala)


Segunda-feira, 14 de Abril de 2008

EDIFÍCIO DA CÂMARA MUNICIPAL DA CATUMBELA

(Desenho efectuado por visualização fotográfica, daí a pouca
fidelidade em escala - desenhado em MicroSation e depois passado
no scanner)


SAPARAL QUE FOI A "CASA BENIGNO FERREIRA" ou "CASA CHIQUITO"
NO "LARGO DO CUIO" (ALMEIDA GARRET), "CASA DAS MADRES" COMO
SEMPRE CONHECI.

(Desenho efectuado através de visualização fotográfica, daí a pouca
fidelidade em escala - desenhado em MicroStation e passado no Scanner)



GRANDE MARCHA DA CATUMBELA ( CAMPEÃ EM 1967 )

1 - Manuela Golias (Madrinha); 2 - Sr. Branquinho Lopes; 3 - Vitor
Marques (filho Marques das areias); 4 - Sr. Pereira da CELB; 5 -Carlos
Abrantes; 6 - Sr. Abel Nunes Ganhão; 7 - Mestre Sousa Gomes; 8 - Sr.
Barreiros ( antigo administrador da Catumbela ); 9 - Miguéis (russo);
10 - Manuel da Costa

Foto cedida e legendada pelo Carlos Ganhão

O ZITO TORRES (Turrinha) GUARDOU
A SUA CAMISOLA Nº17 (Basquete) DO
UNIÃO DA CATUMBELA E QUIZ PAR-
TILHÁ-LA CONNOSCO. AÍ ESTÁ ELA!

ESTÓRIAS DO BASQUETE

Nesta equipa alinhavam algumas figurinhas, entre elas eu (Milhazes), TóZé Cardoso, Zito (Turrinha), Vitor Morais, etc... Uma equipa de se lhe tirar o chapéu....!!!
A táctica era a seguinte: - "chiquipunga, chiquipunga, dois toques, bola no barbante, dois pontos, não tem nada que saber"...!!
sic-TóZé Cardoso

Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

MAPA DA NOSSA CATUMBELA ( RUDIMENTAR ),
COM ALGUNS DOS PONTOS MAIS CONHECIDOS.
- Se falhei nalguma coisa, são os neurónios que já não
funcionam.



Segunda-feira, 7 de Abril de 2008

MEMÓRIAS ...

O Embondeiro ao pé da Estação e o outro ao pé do Centro Paroquial (tinha as tábuas dos 10 mandamentos pregado nele), a Mulemba, a ACIC, o Cachinjonjo, A Estação, O Cavalo Branco, O Xandeco e o rebentamento da granada, A Dª Zita ( W. Olga Corrêa)-Professora Pré-Primária e seu marido Sr. Correia tinha um Goggomobile Vermelho, O Carlos Pereira ( Picanço) e Pai Sr. Jaime Pereira, o Sr. Arcanjo, o Sr. Gonçalves, o Sr. Severo, o Sr. Diamantino (Pai da Zélia), o Vieira (trabalhava na ACIC, tinha uma Suzuki), o Barbante, Muadiê, o Carnaval na Catumbela, A Ilhavense, A Macafilda - Manuel Carvalho & Filhos, Lda ( propriedade do Sr. Luiz Carvalho "29/30" ... ou "...quem marca o golo sou eu...!", este foi o 1º mini-mercado que conheci, mais a inovação daquelas bicicletas pretas com as cestas à frente para entrega das compras ao domocílio: o homem era um verdadeiro inovador para a época!!!), o Sr. Joel e filhos , Joel e Pedro ( Malatesta ), o Baião, os Barata (donos de alguns terrenos na Praia Bebé), o Sr. Novais da Silva, o Sr. Almeida Carvalho e filhos (Amândio, Vasco e Cáli), o Sr. Carvalho de Oliveira, as Palmeiras, os Canaviais, os Kuanhamas ( guardas da Cassequel ), o Comboio em dia de chuva ( as rodas patinavam nos carrís), os bancos do combóio em " Suma-Pau", a Cassequel, o Sr. Afonso da Cooperativa, o Sr. Magalhães ( Maleiro ) e filha Mila, as Pontes sobre o Rio Catumbela, as Cheias, as Palmeirinhas, o cheiro a Melaço, o Hospital da Cassequel (S. Pedro), o Morro dos engenheiros, os carros de rolamentos, o Forte, A Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus (Paróquia da Catumbela), a J.O.C., o Cachipa (Filipe), a Panguita, "Boas" - cumprimento entre a malta, "Tchau" - despedida, "Espiga" - trejeito entre a malta, designando problema, confusão, ... ,o Posto, os Sipaios, o Largo da Mª da Fonte ( Largo Garanganja), A Escola Alfredo de Melo, agora ( N´Gola Kiluanje ), a Betinha e a Albertina ( basquetebol), os Popeye, a CELB, o Vilarinho e manas, o Abrantes e mana Ana Maria, o Pestana e mana Ana Maria, os Foguetes da SEFEL ( os grandes e o pequenino de côr verde do desdobramento + o motorista Sr. Hermínio), O guarda nocturno (Mazanza), o policia " Mabúzio" - era bera ...!, o Sr. Reis, o Tinito (Agnelo Berardy), o Berardy (Carlitos), o Dinho (Berardy), a menina Natércia (professora na Colégio João de Deus, má p'ra burrro!!), a menina Áurea (Professora), a Dª Amélia Vilas Boas (dona do Colégio João de Deus), o Nuno Domingues (Desenhava espectacularmente), mana Hortense e irmão Sousa, o 44, o 21, o Quitinhos (Pula-Pula) e sua mana Olga, o Zito (Turrinha) e mana Paula, o Miranda, o Sr. Ilídio Monteiro Alves (tinha uma carpintaria na Catumbela e notabilizou-se no ciclismo, representando o Sport Clube Catumbela) Pai do Norberto (Cangato), Inocêncio, Jorge e do Jofre, o Quim Franco (uma cabeçada dele deixava um touro KO) e + (... cena do Quim Franco que deixou cair o isqueiro naquele tanque com jacarés, no parque em frente ao Cassequel aonde havia muitas árvores fruta pão! O jacaré a barulhar de boca aberta, e o Quim lá dentro a enfrentá-lo e a dizer:- "...olé esquilinho, só quero o isqueirinho ...!": - bem encharcado como sempre, mas sem cair!!!!(figura única), a Casa das Madres, situada no Largo do Cuio ou Almeida Garret ( conhecida também como Casa Benigno Ferreira, Chalet Chiquito, ...), a Madre Superiora (Joana), o Zé Manuel Aguiar (sua Mini-Honda), o Sr. Branquinho Lopes ( grande dinamizador cultural na nossa Vila) e filhas ( Guiomar, Betinha e Marlene), o Sr. Barbosa (Sapateiro, verdadeiro artista!), fazia sapatos por medida e filha Helena (foi professora na Escola Industrial), o Matos (guarda redes do Catumbela), a Anabela (Belinha dos Correios), o Chefe da Policia e filha Tonicha, a Dália (Correios), o Sr. Rodrigues ( Padeiro no Namano que tinha a particularidade de, quando a conduzir, abanava a cabeça dum lado para o outro , esposa D.Natália e filho Licínio, o Franklim e mano Montgomer, o Helder Curto, Pais e manos Carlos, Idalete e Maria José, tinham uma ourivesaria, "Ourivesaria Marialva" no Mercado Municipal (Lobito) frente ao Kurika, O Cardoso (Ardósia) e mano Adalberto (Bissapa), O Martinho e mano Vitor Marques (Areias...), os Morais, a Mamé, o Nito Macedo, o irmão Hall Pereira e mana Tininha, a Mãe D. Luisa ( Senhora linda ) o Pai deles Sr. Macedo (morria a rir com as cócegas que lhe faziam), o Paprica, a São Pina, o Augusto (Marsebaiza), o Caximbinha, o Mosca do Sono, o Manuel da Costa (electricista da Cassequel), o Silvio, depois de na tropa ter levado uma patada dum cavalo ( constou-se ...), ficou surdo-mudo .... !!!!, o Luiz da Macafilda e mana Isabel, o Cabôbo, o Walter Luz, as Arrofadas, o Sr. Vidal ( tinha um filho que se fartava de falar sózinho), o Jorge ( irmão do Fernando do Datsun 1200, morreu afogado na lagôa da fábrica do barro), a Associação Beneficente e Recreativa da Catumbela, o Sport Club Catumbela, a União Desportiva e Recreativa da Catumbela ( fusão dos dois clubes), o Hotel Catumbela, o Vítor Marques (Papa ...) e sua mana Céu e Pais ( o Pai do Vitor foi o homem que chamou a parteira para a minha Mãe "mijar o melão", sacando de lá de dentro este rapaz! Twapandula Sr. Marques ), o Zé Francisco Sacadura e suas filhas Luísa ( casou com o Coelho-candimba) e São ( namorava com Fernando Mendonça) mais a carrinha Chevrolet verde, o Amaral (passeava os jacarés nas ruas), o Leonardo, a Iria, a Aida Lígia, o Cinema Catumbela ( Cine Beneficente ), o Zeca Ferro e mana Celeste, o Carlos Ganhão e manos, o Senhor Abel Nunes Ganhão (foi Presidente da Associação da Catumbela, grande dinamizador das Marchas da Catumbela e peças Teatrais junto com o Sr. Branquinho Lopes e ainda teve a famosa "Grande Orquestra Monumental" - anos 50 ), o Edifício da Câmara e as badaladas do relógio, o Almeida “gatuno/Chimuno” ou " Enxuga Lágrimas" (loja) e filha Ana Maria Almeida, a Zélia, o Sr. Luciano Silva da loja e o seu irmão que era mudo (o tipo era nervoso, tinhamos um cagaço dele ....), o Nabão, a loja Moura & Moura, o Alberto Borges Moura e filho Alexandre Moura, a loja Abreu, o Calha e manas Lena e Paula, o Zé Marques, o Policia Saraiva e filhos, os manos Vieira ( Zé e Quim ), as Farfalhudas, Gosma ou Gosmento (egoismo, egoista), os Matrindindes, Watema ou Uatema ( mau ou zangado), as grandes chuvadas e trovoadas, o cheiro a terra molhada, as Cheias do Rio Catumbela, as Farras das Palmeirinhas, a Quermesse das rifas, o Futebol de Salão, o Bingo ( alto ...!) marcavamos os números queimando com a ponta dos cigarros, o Rufino (grande Capitão do futebol do Catumbela), o Tomás ( guarda redes do Catumbela), o Caçador e mano Djalma, o Hóquei patins, o Amadeu (Zito) e mano Óscar, o Sr. Morais e mulher Zeza, Pais da Fatinha, Jó e Ita, a Dª Fernanda Flores (cabeleireira), o Sr. Armindo Flores e filhos ( Milito e Filó ), o professor Soares, o Sr. Rodrigues Bonifácio-treinador de hóquei e filhos, Bonifácio (Bodegas-Boni) e Luiz Vasco, o Sr. Horta, esposa e filha Ana Maria Horta, o Padre Castro, o Padre Gualdino, o Padre Neves (não aguentou o celibato ...!), os Árbitros a fugirem pelo morro acima no campo do Catumbela para não levarem porrada, o Homero, o Namano, o Elias da Vacaria-Elias Celgas?, os Bambús, o Vargas (Bar VarLuz), o Carlos Vargas, o Pedro Totoy, o Panguiça, o Olímpio (Periquito), a macacada ( Babuínos ) e os jacarés, o Chiúle ou Chiúre, as Bimbas, os Barcos de bimba (atravessavam as lavadeiras duma margem para a outra do Rio Catumbela), a Lavadeira do Catumbela (...), a Banana-Macaco, os Territos ou Tarrotes ( passarinhos ), A pressão de ar, os Seripipi ou Osipipi ( Rabo-de-Junco ), o Pica-Peixe ( Ongwalukwo ), o Pica-Pau ( Omangula ), Tchinguengue ( Periquito ), os Bico-de Lacre, os Lucengues, o Sardão, a Cana de Açúcar, as queimadas da cana de açucar e as faúlhas que se espalhavam por tudo que era lado ( neve negra), as Goiabas, os Mamões, as Papaias, as Mangas, a Fruta Pinha, a Fruta- pão, o Sape-Sape, as Carambolas, os Tamarindos, o Teixeira (Meirim), as Fisgas, o Santa Rita e filha Ana Rosa + a prima Lucilia, o Santana, o Yaú